terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Paulo Camelo diz que manifestações pelo impeachment último dia 13 foram um fracasso e alfineta PT


Texto do engenheiro Paulo Camelo, enviado à imprensa.


"Em pleno século XXI, o Brasil ainda carrega vários "tabus e preconceitos”. A reforma agrária já aconteceu em diversos países, já no Brasil é um “bicho”, com todo respeito aos animais. A imprensa, especialmente a burguesa, evita, propositalmente, mencionar algum assunto sobre à "Direita", o "Centro" e à "Esquerda". Afinal, “Despolitizar” é preciso. Existem três posições quanto ao "impeachment", a saber: 1 - À "Direita" defende o "impeachment" e critica o governo Dilma, o qual é de Centro-Direita. Engana-se profundamente quem imagina que o PT e o governo Dilma, representam “à esquerda”; 2 - Os Centristas e Reformistas, ou melhor, a "Centro-Direita", são contra o “impeachment” e defendem o governo Dilma; 3 – A “Esquerda”, PCB e outros, são contra o "impeachment", mas criticam o governo Dilma. Deixando a questão legalista de lado, a abertura do processo de impeachment contra a Presidente da República, Dilma Rousseff, é a expressão do esgotamento do papel do PT como partido reformista, ou seja, da ordem burguesa.

Agravam esse quadro a corrupção, a qual é inerente ao sistema econômico capitalista. Portanto, a corrupção não será extinta nos limites do capitalismo. A estabilidade dos governos petistas reside na boa administração do capitalismo e no arrefecimento dos movimentos populares. Mas, o PT desaprendeu o dever de casa, ficando sem rumo. Deste modo, o aprofundamento dos reflexos no Brasil da crise mundial do capitalismo (chamado por Lula de “Marolinha”) constitui o principal fator de desestabilização do governo Dilma e, consequentemente, da atual crise política. Apesar dos governos petistas terem se transformado em governos da “Ordem Burguesa” e cedido a muitas exigências do capital, ao promoverem os chamados ajustes e cortes de direitos para satisfazê-lo ainda mais, setores de direita, derrotados nas eleições de 2014 e da própria “base aliada” tramam para encurralar o governo federal e arrancar ainda mais vantagens.

 É nesse quadro que se abre o processo de impeachment. Não porque o presidente da Câmara dos Deputados, o corrupto Eduardo Cunha, resolveu retaliar o governo, mas porque se esgota o tempo em que era vantajosa para a burguesia a terceirização política que concedeu ao PT, já que este partido não oferece mais a vantagem de administrar bem o capitalismo e, ao mesmo tempo, desmobilizar os trabalhadores. Ou, alguém tem dúvida que o PT desmobilizou o movimento popular no Brasil? Ao fazer concessões com as elites ricas e com os seus testas de ferro, a exemplo do PMDB, o governo do PT cavou a sua própria sepultura.

 Como o PT não fará um giro radical em sua linha política de conciliação com a burguesia, só falta sabermos a data do enterro. Com essa leitura, a esquerda autêntica considera que, para os trabalhadores e os setores populares, foi nociva a instauração do processo de impeachment. A tendência é que qualquer resultado nos seja desfavorável. Assim, a esquerda deve repudiar as ações das forças reacionárias pelo impeachment, ao mesmo tempo em que deve propor que o governo da presidente Dilma, não promova um pacto social com a burguesia. Lembrando que é no governo Dilma, que as irregularidades administrativas e a corrupção estão sendo apuradas, diferentemente dos governos de “Direita juramen- tada”, cujos processos foram engavetados. Que o diga o governo do ex-presidente Fer- nando Henrique Cardoso. Deste modo, as manifestações “pró-impeachment” tendem ao fracasso, porquê a população já percebeu que a maioria dos políticos brasileiros são piores e muito piores do que a presidente Dilma. Dilma é melhor do que Lula, Aécio, FHC, Renan, o vice golpista Michel Temer, e tantos outros. Além do mais não existe mais liderança política no Brasil, nem tão pouco militar, religiosa, etc. O Paulo Camelo, é insuspeito para dizer tal afirmativa porque votou nulo no segundo turno da eleição presidencial de 2014. As forças de esquerda devem privilegiar a luta direta das massas, sem subestimar alguns espaços políticos institucionais e a defesa das liberdades democráticas e dos direitos civis, numa perspectiva de construção do socialismo".

 Paulo Camelo de Holanda Cavalcanti, ex-líder estudantil, militante do PCB, engenheiro civil e ex-candidato a Prefeito do Garanhuns/PE

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