terça-feira, 19 de maio de 2015

Instalação de parques eólicos provocam desmatamento de 700 hectares no Agreste e Sertão de PE


O avanço na produção de energia eólica em Pernambuco começa a chamar a atenção quanto a outro fator: o desmatamento irregular da vegetação. Um levantamento aponta que uma extensão superior a 700 hectares já estaria autorizada para supressão da área verde, dando lugar aos equipamentos para captação da força dos ventos. O bioma da caatinga, nas regiões do Agreste e Sertão, figura entre os mais atingidos. Com investimentos na ordem de R$ 2,5 bilhões, o primeiro grande parque no segmento, localizado no município de Caetés, no Agreste, deve iniciar a operação em setembro deste ano, somando-se a cerca de 30 outras unidades em fase de implantação. O assunto foi tema de discussão, ontem, na Assembleia Legislativa, que anunciou a criação de uma comitiva para percorrer as localidades em busca de supostas irregularidades.

“Apenas 2% do terreno são ocupados pelos aerogeradores e as demais áreas, inexplicavelmente, acabam ficando ociosas. Trata-se de grandes perímetros que poderiam ser aproveitados na criação de animais e plantação, mas que são inviabilizados por contratos autoritários de arrendamento”, explica o doutor em energética e professor da UFPE, Heitor Scalambrini. Segundo ele, o Nordeste já comporta 80% da produção desse tipo de energia renovável, estando 35% instalada no estado do Rio Grande do Norte e outra fatia considerável no Ceará. “Juntos, esses polos têm amargado perdas ambientais e também sociais, que começam a dar sinal em Pernambuco. Não é levada em conta a condição de vida das pessoas, a maioria humilde e de baixa escolaridade. Além da deterioração das cidades, as promessas de geração de emprego e renda, que logo desaparecem, geram grande frustração”, acrescentou o especialista.

O desmatamento também preocupa a formação de cenários de desertificação, um risco que já se estende a 122 municípios do Estado. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), nos últimos anos se perdeu, aproximadamente, 20 mil hectares do bioma caatinga. 

De acordo com a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), todo o processo estaria dentro da legalidade. “Não existe nenhum tipo de crime ambiental, já que a área licenciada atende aos trâmites previstos em lei. As resoluções do conselho nacional preveem prazos de 60 dias para a expedição de licenças, antevendo um acompanhamento que de fato foi realizado”, afirmou a presidente Simone Nascimento. Ela assegura que a supressão da vegetação não pode ser associada a dimensão do terreno. “A extensão da área de mata é bem menor”, acrescentou. O discurso é reforçado pelo secretário-executivo de Energia, Eduardo Azeredo. “O quadro é visto como positivo, mas está sendo acompanhado. Caso se faça necessário, atuaremos com fiscalizações.”, ressaltou.

Com informações da Folha de Pernambuco

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